história
O despertar de tudo
Goodreads
David Graeber / David Wengrow publishing house: Companhia das Letras 2022 - 8
Durante séculos, nossos ancestrais foram considerados primitivos e infantis, sendo divididos em duas categorias: iguais, livres e inocentes ou guerreiros e brutais. Com base no pensamento de Jean-Jacques Rousseau e de Thomas Hobbes, a ideia que perdurou ao longo dos anos foi a de que só poderíamos alcançar a civilização sacrificando essas liberdades ou domesticando nossos instintos mais básicos. Neste livro revolucionário, o antropólogo David Graeber e o arqueólogo David Wengrow demonstram como essas teorias que emergiram no século XVIII foram uma reação à crítica feita por povos indígenas à sociedade europeia – e por que elas estão erradas. Ao oferecer essa nova perspectiva, os autores questionam tudo o que conhecemos sobre as origens da agricultura, da propriedade, das cidades, da democracia, da escravidão e da própria civilização, iluminando outras formas de liberdade e organização social e nos convidando a imaginar qual futuro desejamos para nós mesmos.
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Sept. 9, 2026
eu não gosto muito quando leituras são definidas como "necessárias". boa parte disso é um ranço meio sentido que surgiu de ver a expressão "livro necessário" brotando ad nauseam em resenhas e comentários por aí. mas, num menor grau, é também uma implicância com o caráter utilitarista do negócio (o que é uma leitura necessária, útil? o que garante o mesmo grau de urgência de algo pra todo mundo?). ou ainda com o aspecto de "provação" implícito. "li não porque quis, mas porque era preciso".

diiiito tudo isso, vou abrir uma exceção. "o despertar de tudo" é um livro necessário. ou melhor, é um livro necessário para (*inspirando fundo*) "pessoas que tenham interesse em desconstruir noções que aprenderam desde a escola, reforçadas pelas demais instituições e pelo senso comum, mas nunca foram realmente postas em dúvida; noções que moldam quase tudo que pensamos sobre sociedade, história e potencialidades humanas — mesmo sem ter qualquer fundamento compatível com evidências e conhecimentos mais recentes, ou mesmo com a lógica mais elementar" (*expirando*). ou seja, um bocado de gente.

recomendo este livro especialmente para:

• pessoas que acreditam em mitologias sobre a natureza humana. quer seja sobre um estado social inocente corrompido pelo pecado original da agricultura ou civilização; quer seja sobre seres humanos "primitivos" se digladiando antes de decidirem se organizar de forma mais "razoável". (ou que creiam em qualquer outro tipo de essencialismo sobre a condição humana, na verdade)

• pessoas que acham que democracia e análogos, complexidade política, revoluções ou algo nas linhas de "liberdade, igualdade e fraternidade" despontou pela primeira vez na europa e/ou com a modernidade — quer seja na grécia, com a revolução francesa ou com o iluminismo

• pessoas que acreditam em algum modelo de evolucionismo simples das sociedades (a exemplo de: tribos de caçadores/coletores > revolução agrícola > agricultores que produziram excedente que precisou ser administrado > Estados)

• pessoas que acham que a ciência ou os esquemas teóricos de uma única pessoa excepcional conseguem prever de forma muito precisa as maneiras como os seres humanos agiram ou agirão perante as circunstâncias históricas

• pessoas que nunca pararam pra pensar muito no fato de que é meio estranho chamarmos a maioria esmagadora da nossa história de "pré-história"; ou no pq de tantos materiais didáticos passarem rápido por enormes segmentos históricos, focando muito mais em estritas faixas temporais e geográficas que não representam bem a totalidade, ou sequer a maioria, dos formas políticas e sociais humanas

• pessoas que não concordam 100% com as vibes de nada do que eu citei mas também não saberiam muito bem afirmar categoricamente o contrário, portanto ficam em cima do muro

• pessoas que leram, ou tem interesse em ler "sapiens: uma breve história da humanidade"
história antropologia arqueologia favoritos
Cisnes selvagens
Wild Swans: Three Daughters of China Goodreads Open Library
Jung Chang publishing house: Companhia de Bolso 2006
Nosso desconhecimento da China é tão vasto quanto vastas são as dimensões daquele país, onde vive nada menos que um quarto da humanidade. Neste livro, Jung Chang resgata a saga de sua família, que reflete as turbulências da história chinesa recente. O relato retrocede ao início do século XX, quando a avó de Chang é oferecida como concubina a um poderoso militar. Depois acompanha a história da mãe da autora, que viveu a ocupação japonesa na Manchúria, o governo do Kuomintang, a queda de Chang Kaichek, a guerra civil e a vitória de Mao — os pais de Chang foram devotos do comunismo, trabalharam na alta administração do Estado e viram a revolução deteriorar no totalitarismo da Revolução Cultural. Verdadeiro épico, Cisnes Selvagens comoveu milhões de leitores no mundo todo.
Bakunin & Nechayev
Paul Avrich translator: Ian Caetano / Lira Furtado publishing house: Nigra Koro / 1000Contra 2025 - 7
"A publicação Bakunin & Nechayev, do historiador Paul Avrich, chega num momento importante, em que, ao menos num setor restrito do Brasil, se aprofundam as discussões sobre Mikhail A. Bakunin. Apesar de sucinto, este escrito contribui com a compreensão da complexa relação entre ambos os russos que, mesmo tendo durado pouco tempo, teve consequências marcantes e duradouras, não apenas na história do movimento da classe trabalhadora, mas também nas produções historiográficas que se debruçaram sobre Bakunin e sua obra." — Felipe Corrêa "Em resumo, enquanto Bakunin, quaisquer que sejam suas faltas, era essencialmente um libertário, Nechayev, quaisquer que sejam suas virtudes, era essencialmente um autoritário. Seus mentores não eram Fourier, Proudhon e Bakunin, mas Robespierre, Babeuf e Tkachev, cujos princípios jacobinistas ele levou às últimas dimensões. Longe de ser um anarquista, ele era um apóstolo da conveniência política, preocupado com os meios de conspiração e com organizações centralizadas, mais que com o objetivo de uma sociedade sem estado. Seu jacobinismo e maquiavelismo entravam em atrito com o espírito libertário, rodeando o anarquismo com uma aura de brutalidade e crueldade que eram alheios a o ideal de liberdade e dignidade humana, era maculado, rebaixado, e, por fim, distorcido ao irreconhecível." — Paul Avrich
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Sept. 4, 2025
eu ~não~ esperava que esse livro fosse ser tão interessante. sinceramente, eu tava esperando um livro meio acadêmico demais e abstrato, mas acabou que ele me fisgou do início ao fim (comecei e terminei no mesmo dia). não é apenas um livro sobre política, é também um livro sobre relações interpessoais e sobre ética. é razoável usar-se de todos os meios escusos possíveis para se lutar por uma causa que você crê ser justa? os fins justificariam os meios nesse caso?
política moral ética história anarquismo