capitalismo
Mundos Multiespécie
author: Martina Davidson publishing house: Nigra Koro 2026
Este livro nasce das ruínas — mas também das pequenas germinações que insistem entre elas. Ela nasce das teias, dos rastros, das alianças que se formam quando decidimos habitar o(s) mundo(s) sem possuí-lo(s).

Mundos multiespécies: resistir e rastejar com animalidades indisciplinadas é uma obra teórica e sensível nascida de uma tese de doutorado em Bioética — mas que também é corpo, território e gesto de afeto. Trata-se de uma ficção teórica que se move entre a filosofia, a poesia e a etnografia selvagem, convocando o pensamento a se arrastar com os fungos, as águas-vivas, os elefantes, as abelhas e as plantas que brotam nas calçadas — com tudo aquilo que o pensamento moderno chamou de outre.

Ao longo de suas três partes, o livro percorre caminhos que se entrelaçam: a primeira, sobre estudos multiespécie, fricções e micorrizas investiga as ontologias e práticas que emergem da vida compartilhada entre espécies; a segunda, sobre indisciplina e resistência animal, rastreia casos e insurgência mais-que-humanas; e a terceira, sobre as alianças selvagens (pensadas e sentidas ao lado de minha amiga Anahí Gabriela González) fabula encontros e reciprocidades possíveis nas ruínas do capitalismo e da colonialidade.

Este livro pode ser lido como um todo, em sua travessia completa, ou em partes autônomas, como fragmentos de um mesmo mundo em expansão. Cada Parte é uma dobra — teórica, poética, viva — que convida a pensar e sentir com tudo o mais-que-humano que resiste, rasteja e floresce nas ruínas. Aqui, o verbo pensar não se separa de sentir. Rastejar é método e é ética: é se aproximar do mundo pelo atrito, pela escuta, pela vulnerabilidade compartilhada. É aprender que a matéria responde, que o toque é político, que a vida é sempre uma composição entre corpos.

Entre o espanto e a ternura, entre o rigor teórico e a linguagem que se dobra para respirar, este livro fabula mundos possíveis: micorrízicos, indisciplinares, de alianças selvagens. Um convite para habitar o que resta — e, no resto, inventar o que vem.
Aug. 30, 2026 read
ler esse livro me deixou pensando nas coisas que o mundo perde por não interagir com o diferente, o selvagem. e também no que a academia (como reflexão da indústria) perde em sua obsessão por padronização e escalabilidade. por uma indisposição a formar alianças, ou coser colchas de retalhos de vez em quando.

martina tensionou a forma acadêmica o máximo que pôde neste livro. a começar pelo uso de generificação não ortodoxa nas palavras — inclusive ao se referir ao coletivo de seres de múltiplos gêneros ou qualidades (não assumindo o masculino como a norma). martina também se preocupa em deixar seu texto acessível pra vários públicos, explicando termos que podem não ser familiares para pessoas fora das áreas de estudo delu. outro exemplo mais evidente dessa fricção intencional é a escolha do próprio tema (que fomos condicionades a ignorar), além do uso de uma escrita mais poética em diversos momentos.

existem vantagens em alguém como elu co-ocupar diversos espaços, dentre eles o acadêmico e o selvagem. um deles é o de disponibilizar a sua pesquisa em múltiplas esferas. mas ao mesmo tempo percebi que as partes mais poéticas do texto não raro se expressavam e fluiam bem melhor que as demais. são essas as que mais se fixarão na minha memória deste livro (mas não só).

fiquei pensando muito na minha trajetória como pessoa neurodivergente nesse meio universitário. circulando por ambientes que se pretendem inclusivos, mas guardam em suas estruturas opressões muitíssimo enraizadas. entendi profundamente o q martina dizia quando se referia à resistência que encontrava ao ser elu mesme e desenvolver ideias próprias dentro dessas paredes.

com a escalabilidade, se pretende eficiência. mas se perde o aprendizado com o diferente, o imprevisto (como disse martina, em palavras semelhantes). o trem do progresso vem e arrasta tudo que ouse ficar em seu caminho.

meu objeto maior de crítica foi a repetitividade do texto em alguns momentos, que davam até uma travada na leitura. até combina com o tema das fricções, mas creio q não foi algo intencional 😅
capacitismo contracolonialismo lgbt+ especismo capitalismo
Capitaloceno
El capitaloceno: Una historia radical de la crisis climática
author: Francisco Serratos translator: Reginaldo Pujol Filho publishing house: Elefante 2026
Para escrever esta história radical da crise climática, Francisco Serratos recorreu aos momentos-chave da caminhada humana — ou melhor, de uma pequena parte dos seres humanos, a verdadeira causadora da tragédia ambiental em que estamos metidos — rumo ao colapso: a passagem do feudalismo para o capitalismo, a conquista da América, a expansão colonial europeia, o extermínio de povos indígenas e de meios de vida tradicionais ao redor do mundo e uma longa lista de episódios muitas vezes considerados grandes feitos da humanidade mas que deixaram um rastro indelével de destruição e morte. Obviamente, a invenção do motor à vapor, os combustíveis fósseis e a emissão de gases causadores do efeito estufa recebem atenção especial do autor. Contudo, sua análise vai muito além, abordando a exploração do látex nas florestas tropicais, a guerra pelo guano, a produção de algodão, o agronegócio, o mundo de plástico, o neoliberalismo e a indústria da carne. Episódios da história da Índia sob domínio britânico, sobretudo a grande fome que se abateu sobre o país no século XIX, matando milhões de pessoas, são citados como exemplos das formas que a crise pode assumir no século XXI. O livro encerra com esboços de um futuro possível, após breves análises sobre o regime ambiental soviético e chinês. Uma leitura acessível e essencial para compreender, de uma vez por todas, onde está o problema.
Os despossuídos Goodreads NeoDB
author: Ursula K. Le Guin publishing house: Aleph 2017 - 6
Escrito em 1974 pela brilhante e premiada Ursula K. Le Guin, Os Despossuídos é uma ficção científica incomum, utópica e distópica, sobre dois planetas gêmeos separados por conflitos e desconfianças, e um homem que arriscará tudo para reuni-los.

Urras é um mundo de abundantes recursos dividido em vários estados-nação. Em meio a extremos de riqueza e pobreza, dois deles estão em guerra para estender sua influência – e seu sistema político – sobre os demais. Anarres, por sua vez, é o planeta recluso e anarquista gêmeo de Urras, cuja visão utópica de seus colonizadores acabou criando uma ilusão de sociedade perfeita. Essa ilusão só é quebrada quando Shevek, um jovem físico brilhante de Anarres, descobre a Teoria da Simultaneidade, uma ideia que pode acabar com o isolamento de seu planeta e, ao mesmo tempo, avivar as guerras do planeta vizinho.

Seguindo o estilo de Le Guin, este livro aborda questões de fundo sociológico, como liberdade, desigualdade, individual versus coletivo, e temas políticos cruciais, como anarquismo e polarizações políticas. Embora seja fruto da influência da Guerra Fria, este livro continua cativante e extremamente atual. Situado no mesmo universo ficcional de A mão esquerda da escuridão , outro clássico da autora, Os Despossuídos recebeu o prêmio Nebula em 1974 e os prêmios Hugo e Locus em 1975.
La Chimera (2023)
La chimera
★ 7.5 (18 ratings) director: Alice Rohrwacher actor: 乔什·奥康纳 / Carol Duarte …
other title: La chimera / A Quimera …
Just out of jail, rumpled English archaeologist Arthur reconnects with his wayward crew of tombaroli accomplices – a happy-go-lucky collective of itinerant grave-robbers who survive by looting Etruscan tombs and fencing the ancient treasures they dig up.
No Logo (2003) IMDb
No Logo
director: Sut Jhally actor: Naomi Klein
There's a bad mood rising against the corporate brands. No Logo is the warning on the label. In the last decade, No Logo has become a cultural manifesto for the critics of unfettered capitalism worldwide. As the world faces a second economic depression, No Logo's analysis of our corporate and branded world is as timely and powerful as ever. Equal parts cultural analysis, political manifesto, mall-rat memoir, and journalistic exposé, No Logo is the first book to put the new resistance into pop-historical and clear economic perspective. It tells a story of rebellion and self-determination in the face of our new branded world.