Rapaz, mas isso é complexo.
É um projeto em andamento, com mais contradições e disputas internas do que eles gostam de deixar transparecer. É uma experiência pra lá de interessante, na qual a gente deveria se inspirar e buscar parcerias no que for possível, ainda mais agora que a direita do PC da China está em um momento de defensiva, ao contrário dos anos 90, onde o país parecia caminhar para uma lenta conversão ao capitalismo.
Ao mesmo tempo, o projeto tem vários pontos bem questionáveis, como a incapacidade de superar o chauvinismo sobre Taiwan.
nareal
É se deixar ser conduzido docemente para o abate. Conhecer as verdades, identificar quem são os pastores que nos controlam nem sempre permite fugir do rebanho, mas permite lutar contra quem nos explora.
Tem dois livros, muito bons coordenados pelo Jessé Souza, anteriores a ele passar a escrever porcaria atrás de porcaria e editados pela melhor editora universitária do Brasil, a Editora UFMG. (Bizarro o quanto preciso justificar que o livro é bom, apesar do autor principal)
Ralé Brasileira - quem é e como vive que elabora em vários aspectos como a escravidão é a instituição estruturante da sociedade brasileira, que se organizou a partir da premissa de que sempre deve haver uma parcela grande de sub cidadãos de quem a sociedade pode se servir. A partir disso dá para entender melhor os ressentimentos de classe que os governos do PT criaram.
Os batalhadores brasileiros - nova classe média ou nova classe trabalhadora que estuda exatamente essa ascensão social, com alguns insights muito bons sobre como e por que isso desembocaria em um conservadorismo gigantesco que serviria de base orgânica para o bolsonarismo. (apesar de já ter umas bolas fora enormes como a ideia do "racismo de classe")
Esses dois acho que explicam bem as especifidades históricas mais relevantes do Brasil, mas o Brasil, e isso o Jessé acerta muito em repetir, não é tão específico assim. Na resposta, mais dois importantes globais.
Hi, rapaz, essa é longa...
Começa pelo fato de sermos um país católico. O protestantismo elevou a alfabetização da população porque as pessoas precisavam ler a bíblia individualmente.
Continua pelo fato do analfabetismo ter sido mantido artificialmente alto no Brasil desde a proclamação da república porque usavam a proibição do voto dos analfabetos como mecanismo de impedir a maioria preta e parda do país de votar. Estamos falando de um país que atingiu 50% de população alfabetizada só em 1950. A proibição do voto dos analfabetos só caiu em 88, quando o analfabetismo já tinha caído para 20% e tinha bem menos peso político.
Como hábito social, a leitura é bastante recente porque por muito, muito tempo, não havia sequer condições de que ela ocorresse.
O fato da leitura ser uma distinção da elite do país até pouco tempo atrás faz com que se crie em torno da leitura uma aura de autoridade, refinamento, etc. Essa aura por um lado torna a leitura um hábito desejado, mas ao mesmo tempo afasta grande parte da população e atrapalha o surgimento de um mercado editorial de massa e da literatura como entretenimento. Na janela em que o livro começa a ter possibilidade de conquistar público ele passa a precisar competir com a televisão, o que também atrapalha. Nesse período temos também muitas crises econômicas que impedem boa parte da população de comprar livros. Ou seja, as condições históricas para a leitura se difundir como um hábito social foram bastante ruins.
Para piorar, ocorre uma elitização da leitura como resultado de dois movimentos: o mercado editorial, buscando sobreviver às crises vai focando cada vez mais em produtos de luxo e o leitor elitizado, percebendo uma ampliação do hábito de leitura passa a hostilizar com muito mais virulência que antes autores populares, como Paulo Coelho, para pegar um exemplo onde isso é mais claro. O mercado editorial brasileiro vive de edições de luxo e literatura popular só é aceita se for estrangeira. 1/2
Salário, Preço e Lucro e Trabalho Assalariado e Capital são pontos de entrada bons na obra do Marx. Eu pessoalmente acho que melhores que o Manifesto, até.
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Ninguém nunca me fez nenhuma pergunta dessas. Acho que desde que seja feita de maneira responsável, ok.
Tdm são adultos participando de livre e espontânea vontade com cw não consigo ver o problema.
Me incomoda mais essa pergunta do que o tdm
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Racha num grupo de esquerda radical minúsculo?
Isso é mais uma terça-feira à tarde.
Estou levando o assunto tanto a sério quanto a croezinha (só é relevante se for para debater algo para além dele próprio)
Essa é uma boa pergunta, porque a resposta varia muito dependendo de quem responde.
Marx foi tão pioneiro, tão foda, tão genial, que Durkheim teve que inventar a sociologia para tentar refutar ele. Tão refinado, que só no século XX conseguiram elaborar uma visão sobre a relação entre matéria e cultura que competisse com o marxismo.
O estruturalismo, enquanto escola de pensamento, é derivado da semiótica, são os timoneiros da virada linguística. Não existe nada menos marxista que o pensamento estruturalista. Mas os estruturalistas criaram uma definição para si que incluiria o marxismo: a compreensão da sociedade a partir de suas estruturas invariáveis subjacentes.
Isso fez com que o marxismo nem ganhasse importância quando o estruturalismo estava na moda, nem escapasse das críticas quando o estruturalismo começou a ser criticado. Essa confusão acabou fazendo bastante mal ao marxismo.
Desde seu início, o marxismo entende que sim, é possível compreender a sociedade a partir de estruturas econômicas invariáveis, que sim, existem estruturas culturais subjacentes a esta estrutura econômica, que batizou de ideologia e que não, nenhuma dessas estruturas é determinística, já que a consciência de classe existe. Ou seja, o caráter estrutural da filosofia tem poder descritivo e preditivo em escala social, mas não individual e, mesmo em nível social, as estruturas podem indicar direções gerais, mas não prever eventos individuais.
Eu diria que o marxismo era melhor que o estruturalismo um século antes do estruturalismo surgir e que quem tenta rebaixá-lo a estruturalismo provavelmente o faz para emprestar os defeitos do estruturalismo ao marxismo e ter menos trabalho para criticá-lo.
Bastante coisa. Algumas completamente bestas.
Gente incompetente em cargo alto, injustiça, capitalismo, desonestidade intelectual, gente que coloca a sua moral acima da vida dos outros, acadêmico que paga de desconstruído, mas não se engaja em nenhuma forma de mudança do mundo, espaço público sem sombra ou sem lugar para sentar, show com som mal regulado... Primeiras coisas que me vêem à cabeça.
Um espetáculo cheio de som e fúria, escrito por um louco, nada significando.
E nossa tentativa de construir um lar dentro disso.
Lembrando que minhas respostas no #NaReal são privadas pra seguidores, imagina se alguém que eu conheço na vida real me acha aqui 👀
Essa pergunta é interessante porque dá pra responder de mais de uma maneira.
Eu vivi muitos anos em modo sobrevivência, então hoje eu me considero vivendo o sucesso simplesmente porque consigo viver com flexibilidade, atender minhas necessidades básicas e ainda sobra recurso e capacidade pra buscar conforto.
Mas existem mais sucessos, eu busco tb, porém não cabem em 500 caracteres.
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geralmente quando me chamam é pra eu ficar D4
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Muito difícil escolher, porque são prazeres bastante diferentes, então vou eleger a frequência. Batata sempre é bom, e estudar só às vezes.
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Aí você pega minha necrofilia, rs.
O maior problema dos pensadores vivos é que vivemos em uma era de superespecialização, então as melhores mentes da minha geração, cada uma fala de algo muito específico. Não há mais pessoas com a audácia de falar de tudo e com a capacidade de falar de tudo.
Para não deixar de responder, pessoas que me vejo citando sempre são Wendy Brown em sua elaboração de que a subjetivação neoliberal matou a democracia e a Manuela Dávila pela síntese operacional das políticas públicas de desenvolvimento com as políticas para as minorias.
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Acho que só assisti do início ao fim a primeira edição de No Limite. De resto, não costuma me cativar.
Entre os mortos fica mais fácil, rs.
Entre os gringos, talvez o último com a audácia de se propor a falar de tudo foi o Bourdieu e, de vez em quando dá aquela sensação ao ler de que a sociologia foi resolvida e não precisa de mais nenhuma mudança de paradigma significativa, apenas ajustes incrementais.
E Moacyr Félix talvez seja a pessoa que melhor conseguiu pensar o capitalismo como destruição da dignidade humana e a luta contra ele como ação humanista. Mas, como fez isso em verso, em vez de prosa, passa batido fácil.
-- Meu pai, o que é a liberdade?
A liberdade, meu filho,
é coisa que assusta:
visão terrível (que luta!)
da vida contra o destino
traçado de ponta a ponta
como já contada conta
pelo som dos altos sinos.
É o homem amigo da morte
Por querer demais a vida
-- a vida nunca podrida.
É sonho findo em desgraça
desta alma que, combalida,
deixou suas penas de graça
na grade em que foi ferida...
a liberdade, meu filho,
é a realidade do fogo
do meu rosto quando eu ardo
na imensa noite a buscar
a luz que pede guarida
nas trevas do meu olhar. - Moacyr Félix, 'Canto para As Transformações do Homem'
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Filho do homem branco, é o radical tupi que deu origem ao termo caboclo. Em outras palavras é o indígena miscigenado.
Sobre a pronúncia, rima com oca (casa).
Quando terminei a graduação em Moda, eu queria fazer um mestrado e sabia que seria nas humanas. Gosto muito do design mas o mercado de trabalho além de consumir a nossa alma, nele eu não tenho uma estimulação intelectual que eu tenho na universidade e me dei conta que gosto disso também. A princípio eu ia tentar na Sociologia, mas como eu tava muito em dúvida, decidi começar outra graduação, de Ciências Sociais e foi aí que conheci a Antropologia. Preferi a Antropologia em vez da Sociologia por questões metodológicas e afinidade com professores, principalmente a minha orientadora kkk
Na Antropologia a gente faz um tipo de pesquisa que se esforça pra falar das pessoas e com as pessoas, a partir das histórias delas e das nossas histórias também. A Antropologia se faz a partir do nosso contato com as pessoas que iremos encontrar em campo. A gente não tá preocupado em fazer generalizações sobre o mundo como a Sociologia faz.
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Perguntem perguntas que eu respondo respostas https://na-real.bolha.dev/@yakovbr@ursal.zone
Se juntar a fantasia que li, talvez dê um terço da ficção científica, então ficção científica, mas não por algo próprio dos gêneros. Gosto bastante de ambos e acho que há menos diferença entre eles do que a crítica literária gosta de dizer. Ao mesmo tempo, a maior parte dos autores de fantasia faz um trabalho muito ruim de construção de mundo e a coisa vira capitalismo moderno em nível tecnológico mais baixo, o que meio que tira grande parte da graça. É estranho ver mundos onde há magia e mistério, mas o mundo é tão desencantado quanto o nosso mundo pós reforma protestante, revolução científica e hegemonia do capitalismo.
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Rabiola's powder