Anatomia da revolta
Michele Garau Andityas Matos
sinopsis
Ser "de esquerda" é muito mais do que uma afiliação partidária ou certa vaga simpatia pelo que se chama, de maneira meio ridícula, de "setor progressista".
Pertencer ao campo politico da esquerda radical trata-se de uma experiência muito mais potente, uma forma-de-vida que, sendo comum e mutante, transmuta a si e ao tempo, abrindo-se para o perigo de uma existência sem fundamentos e destituinte.
É assim que Garau demonstra nos ensaios contidos em Anatomia da revolta, nos quais o autor debate com grandes nomes da filosofia sem qualquer servilismo – Marx, Benjamin, Blanchot, Agamben, Comitê Invisível, etc —, traçando uma rigorosa contra-história das experiências revolucionárias de ontem para apontar a necessidade de superá-las. Por mais importantes que tenham sido, essas experiências não devem ser encaradas como planos objetivos a serem repetidos.
Anatomia da revolta nos apresenta um rico afresco em que compreendemos que só é possível viver um tempo da revolução quando se revoluciona o tempo e, experimentando-o em nós mesmos, nos abrimos não para o evento grandiloquente e canônico que se espera de forma quase religiosa, e sim para múltiplas, descontínuas e vitais revoltas.
– Andityas Matos