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nimu

nimu @plushiedata

10 books  

leituras q vieram na caixinha do @NigraKoroDistro@mastodon.social (livros do mês, brindes e coisas à parte)

Medicina e colonialismo [Book] Goodreads
author: Frantz Fanon publishing house: Terra sem Amos 2020
No texto, inédito em língua portuguesa, o autor apresenta diversas formas de resistência oferecidas pelo povo argelino ante a presença do médico-colonizador, como a desobediência ao tratamento, a recusa em explicar o que passava ou sentia, assim como a transformação dessa postura quando a Frente de Libertação Nacional (FLN) assumiu partes do cuidado da saúde do povo argelino em sua guerra de libertação contra o colonialismo francês, ocorrida entre os anos de 1954 a 1962.
Bakunin & Nechayev [Book]
author: Paul Avrich translator: Ian Caetano / Lira Furtado publishing house: Nigra Koro / 1000Contra 2025 - 7
"A publicação Bakunin & Nechayev, do historiador Paul Avrich, chega num momento importante, em que, ao menos num setor restrito do Brasil, se aprofundam as discussões sobre Mikhail A. Bakunin. Apesar de sucinto, este escrito contribui com a compreensão da complexa relação entre ambos os russos que, mesmo tendo durado pouco tempo, teve consequências marcantes e duradouras, não apenas na história do movimento da classe trabalhadora, mas também nas produções historiográficas que se debruçaram sobre Bakunin e sua obra."

— Felipe Corrêa

"Em resumo, enquanto Bakunin, quaisquer que sejam suas faltas, era essencialmente um libertário, Nechayev, quaisquer que sejam suas virtudes, era essencialmente um autoritário. Seus mentores não eram Fourier, Proudhon e Bakunin, mas Robespierre, Babeuf e Tkachev, cujos princípios jacobinistas ele levou às últimas dimensões. Longe de ser um anarquista, ele era um apóstolo da conveniência política, preocupado com os meios de conspiração e com organizações centralizadas, mais que com o objetivo de uma sociedade sem estado. Seu jacobinismo e maquiavelismo entravam em atrito com o espírito libertário, rodeando o anarquismo com uma aura de brutalidade e crueldade que eram alheios a o ideal de liberdade e dignidade humana, era maculado, rebaixado, e, por fim, distorcido ao irreconhecível."

— Paul Avrich
Permanecer bárbaro [Book]
Rester barbare
author: Louisa Yousfi translator: Diogo Santiago publishing house: Autonomia Literária / GLAC Edições 2025
A integração social é tudo o que dizem ser? Não. Neste ensaio provocativo, belo e desafiador, Louisa Youfi desafia a sabedoria convencional que postula a integração como um bem puro, e mostra como a assimilação de povos pode equivaler à perda de tradições, religião, língua e cultura.

Inspirando-se no importante escritor argelino Kateb Iacine, Yousfi explora formas de resistir à hegemonia cultural e moral do Império. Citando uma ampla gama de referências, desde as personagens de Toni Morrison e Chester Himes, até as letras de rap dos "profetas da rua" Booba e PNL, Yousfi exalta as virtudes de sua identidade bárbara e defende aquelas almas corajosas que recusam-se em ser "domesticados".

Discutindo o 11 de Setembro, a era colonial argelina, o tratamento dado pela mídia às celebridades de origem árabe, ou o estatuto de segunda classe dos cidadãos franceses de origem imigrante, a autora se coloca como um espelho intransigente do Ocidente e de suas deficiências morais, como se dissesse: posso ser um monstro, mas quem é o verdadeiro monstro?

Com um amplo repertório de referências culturais que solidificam seu argumento, este pequeno livro é uma ferramenta que amplia e enriquece o debate sobre a política cultural anticolonial e sua estética da resistência.
Homens de Milho [Book] Goodreads
Hombres de maíz
author: Miguel Ángel Asturias translator: Bruno Cobalchini Mattos publishing house: Pinard 2022 - 8
Na busca pela reinvenção de um mito, Asturias criou um romance experimental que emula a cosmovisão indígena. Dividido em seis capítulos que parecem contos interdependentes, a história se divide em dois momentos que se valem da alegoria para explicitar a luta entre o imperialismo ocidental e a tão enraizada tradição dos povos locais.
Educação anarquista: amplitude e radicalidade [Book]
author: Rogério Nascimento (Organização) publishing house: Nigra Koro 2025 - 12
O presente volume configura mais um árduo e bem-vindo trabalho de pesquisa, organização e reflexão de um incansável intelectual. Rogério Nascimento já nos brindou com algumas dezenas de artigos e compilações (algumas publicadas no bom e velho esquema punk do faça você mesmo) e agora apresenta uma extensa antologia (abarcando mais de 60 anos de reflexão libertária sobre educação) que, além de incluir alguns militantes e intelectuais relativamente conhecidos do campo do anarquismo (José Oiticica, Lima Barreto e Octávio Brandão, por exemplo), destaca as centenas de pessoas anônimas que ao longo dos artigos resgatados das páginas de periódicos operários centenários, imprimiram suas ideias, angústias e anseios sobre o tema da educação.

— Rodrigo Rosa da Silva
Professor no Departamento de Educação (UEL) e membro da Biblioteca Terra Livre.
Mundos Multiespécie [Book]
author: Martina Davidson publishing house: Nigra Koro 2026
Este livro nasce das ruínas — mas também das pequenas germinações que insistem entre elas. Ela nasce das teias, dos rastros, das alianças que se formam quando decidimos habitar o(s) mundo(s) sem possuí-lo(s). Mundos multiespécies: resistir e rastejar com animalidades indisciplinadas é uma obra teórica e sensível nascida de uma tese de doutorado em Bioética — mas que também é corpo, território e gesto de afeto. Trata-se de uma ficção teórica que se move entre a filosofia, a poesia e a etnografia selvagem, convocando o pensamento a se arrastar com os fungos, as águas-vivas, os elefantes, as abelhas e as plantas que brotam nas calçadas — com tudo aquilo que o pensamento moderno chamou de outre. Ao longo de suas três partes, o livro percorre caminhos que se entrelaçam: a primeira, sobre estudos multiespécie, fricções e micorrizas investiga as ontologias e práticas que emergem da vida compartilhada entre espécies; a segunda, sobre indisciplina e resistência animal, rastreia casos e insurgência mais-que-humanas; e a terceira, sobre as alianças selvagens (pensadas e sentidas ao lado de minha amiga Anahí Gabriela González) fabula encontros e reciprocidades possíveis nas ruínas do capitalismo e da colonialidade. Este livro pode ser lido como um todo, em sua travessia completa, ou em partes autônomas, como fragmentos de um mesmo mundo em expansão. Cada Parte é uma dobra — teórica, poética, viva — que convida a pensar e sentir com tudo o mais-que-humano que resiste, rasteja e floresce nas ruínas. Aqui, o verbo pensar não se separa de sentir. Rastejar é método e é ética: é se aproximar do mundo pelo atrito, pela escuta, pela vulnerabilidade compartilhada. É aprender que a matéria responde, que o toque é político, que a vida é sempre uma composição entre corpos. Entre o espanto e a ternura, entre o rigor teórico e a linguagem que se dobra para respirar, este livro fabula mundos possíveis: micorrízicos, indisciplinares, de alianças selvagens. Um convite para habitar o que resta — e, no resto, inventar o que vem.


Martina Davidson (elu) é uma pessoa não binária, anarquista, neurodivergente e antiespecista. Mestrie (Universidade Federal Fluminense – UFF) e Doutore (Universidade federal do Rio de Janeiro – UFRJ) em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva. Pesquisadore do Laboratório de Ética Animal e Ambiental (UFF) em temas como transfeminismos, decolonialidade, animalismos, estudos crip e estudos multiespécie. Membre da Revista Latinoamericana de Estudios Críticos Animales e da Revista de Estudios Posthumanos. Tutore das gatinhas: bell (falecida em 2025), Juno, Alisha e Miha. Autore dos livros “Repensando o Veganismo” e “Declararam Guerra Contra a Ilha Sapatão”, ambos publicados pela editora Ape’ku. Poeta, militante e argentine-brasileire.
Realismo Capitalista [Book] Goodreads
Capitalist Realism: Is There No Alternative?
author: Mark Fisher translator: Rodrigo Gonsalves / Jorge Adeodato publishing house: Autonomia Literária 2020
Após 1989, o capitalismo se apresentou com sucesso como o único sistema político-econômico aparentemente viável no mundo – uma situação que só começou a ser questionada para fora dos círculos mais duros da esquerda a partir da crise bancária de 2008, quando começa-se a entender a urgência de se desmontar a ideia de que “não existe alternativa”. Este livro, escrito pelo filósofo e crítico cultural britânico Mark Fisher, desnuda o desenvolvimento e as principais características do “realismo capitalista”, conceito que delineia a estrutura ideológica em que estamos vivendo. Usando exemplos de política, filmes, ficção, trabalho e educação, argumenta que o “realismo capitalista” captura todas as áreas da experiência contemporânea. Mas também mostra que, devido a uma série de inconsistências e falhas internas ao programa de realidade do Capital, o capitalismo é, de fato, tudo — menos realista.

“Realismo capitalista” revela que a ideologia está hoje assentada positiva e diretamente na crueza material do capital. Sobre um chão a partir do qual não se veem alternativas no horizonte, ocorre que é possível revolver o solo: a fratura e a revolução estão estruturalmente sob os pés.
— Alysson Leandro Mascaro, professor da USP

“Um clássico cult”.
— Hua Hsu, The New Yorker

“Uma leitura rápida e divertida”.
— Socialist Standard

“Uma leitura provocativa e necessária… para quem quiser falar seriamente sobre a política da educação hoje”.
— Times Higher Educational Supplement

“Mark Fisher foi o líder intelectual de uma geração”
— Alex Niven, New Staterman

“Mark Fisher foi prolífico, penetrante, espirituoso, humano e onívoro”
— Meagan Day, Jacobin
Geografia da autonomia [Book] Goodreads
author: Fábio Márcio Alkmin publishing house: Elefante 2025 - 2
Geografia da autonomia: a experiência de autonomia territorial zapatista em Chiapas, México tem a enorme virtude de não se tratar apenas de um relato analítico sobre o movimento zapatista, mas de também se aprofundar em como a emergência de novos movimentos indígenas desarticulou a estratégia política institucional de cooptação dos povos originários — em particular no México, mas sempre em um diálogo possível com a realidade latino-americana. E também sugere que o conflito social é crucial para o desenvolvimento da teoria: que ele é tanto a sua base epistemológica quanto a raiz que sustenta o pensamento crítico. Para mim, o aspecto mais interessante deste livro reside na análise da territorialização das autonomias concretizadas por alguns sujeitos coletivos, pois demonstra as notáveis diferenças que essas autonomias carregam com relação às instituições autônomas criadas pelo Estado em outras latitudes. Mas a questão central neste trabalho é o modo como Fábio considera as autonomias. Não se trata de instituições, nem mesmo de instituições dos povos criadas “abaixo e à esquerda”, mas sim de processos longos, de tempos longos, como diria Fernand Braudel, e, por isso, sempre inacabados.

— Raúl Zibechi, no prefácio
O Planeta do Exílio [Book] Goodreads
Planet of Exile
author: Ursula K. Le Guin publishing house: Morro Branco 2025 - 9
NA TERRA ONDE O INVERNO É QUASE ETERNO, O EXÍLIO FLORESCE EM SILÊNCIO E DESCONFIANÇA.

Enquanto o planeta Werel entra em seu longo inverno, tensões desgastam as relações entre suas duas populações: os foviali nômades nativos e a colônia de terranos perdidos. Entretanto, os dois povos compartilham não apenas uma herança genética, mas também inimigos em comum. Será que unirão suas forças ou serão aniquilados?

Landin, uma colônia da Terra, está ilhada em Werel há dez anos ― e cada ano de Werel equivale a mais de sessenta anos terrestres! Depois de um exílio tão longo, o assentamento humano, solitário e em declínio, começa a sentir o desgaste.

Todo inverno ― uma estação que dura uma década e meia ― os terranos ganham como vizinhos os foviali humanoides, um povo nômade que só se assenta para a temporada de frio cruel. Os foviali temem os terranos, a quem consideram bruxos, e a quem chamam de distantinos. Mas os dois povos têm inimigos em comum: as
hordas de bárbaros saqueadores chamados gaal, e os ghouls das neves, predadores sinistros.
O despertar de tudo [Book] Goodreads
author: David Graeber / David Wengrow publishing house: Companhia das Letras 2022 - 8
Durante séculos, nossos ancestrais foram considerados primitivos e infantis, sendo divididos em duas categorias: iguais, livres e inocentes ou guerreiros e brutais. Com base no pensamento de Jean-Jacques Rousseau e de Thomas Hobbes, a ideia que perdurou ao longo dos anos foi a de que só poderíamos alcançar a civilização sacrificando essas liberdades ou domesticando nossos instintos mais básicos.

Neste livro revolucionário, o antropólogo David Graeber e o arqueólogo David Wengrow demonstram como essas teorias que emergiram no século XVIII foram uma reação à crítica feita por povos indígenas à sociedade europeia – e por que elas estão erradas. Ao oferecer essa nova perspectiva, os autores questionam tudo o que conhecemos sobre as origens da agricultura, da propriedade, das cidades, da democracia, da escravidão e da própria civilização, iluminando outras formas de liberdade e organização social e nos convidando a imaginar qual futuro desejamos para nós mesmos.
Created date: April 26, 2026