mais superficial que um pires
esta foi melhor q a primeira temporada e trouxe algumas coisas legais (como pelia e o episódio musical, por exemplo). mas qualquer melhora, pra mim, foi contrabalanceada pela mensagens problemáticas subjacentes à série desde o início, e professadas com ainda mais intensidade aqui.
uma boa exemplificação do que quero dizer com isso pode ser encontrada no tratamento dado a klingons e gorns, que foi tão simplista q chegou a ser ofensivo. "às vezes, um monstro é só um monstro". é, mas quem escreve os monstros sem personalidade são os roteiristas da série. o problema se resolve escrevendo personagens que sejam pouco mais que um estereótipo 🙄
um dos maiores atrativos de star trek são os dilemas éticos complexos. mas existem episódios de As Aventuras do Capitão Próton menos cartunescos q alguns embates dessa série.
um desses foi o tal do julgamento da Una, que focou mais num exame individualista do q em avaliar os motivos q levam a manipulação genética a ser problemática em primeiro lugar. ainda q ao final a Una poderia ser inocentada por um motivo ou outro, o contraditório poderia ser ao menos apresentado apropriadamente. não houve uma verdadeira tentativa. é como se a série quisesse q o espectador e seus pensamentos eugênicos internalizados sequer cogitasse a existência de vieses — ou de quaisquer outros vieses, aliás.
como tudo nessa série — até mesmo crimes de guerra — os questionamentos se encerram com argumentos falaciosos ou com apelação emocional. querer uma abordagem mais sistêmica, no estado atual das coisas, é querer demais.
mas tudo bem: no final das contas, a federação toma decisões certas. pq? pq é boa. e pq a federação é boa? pq é boa, oras.*
*sarcasmo