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Book

O rio que me corta por dentro
Goodreads
Raul Damasceno publishing house: Astral Cultural 2025 - 6
Em Carrasco, lugarzinho perdido no sertão cearense, Cícero passa a infância à espera. A mãe, Aneci, trabalha como empregada doméstica na capital e volta apenas uma vez por ano, sempre em dezembro, para a terra que tanto a machucou e para o filho. E são nesses poucos dias que o garoto deságua em amor. No restante do ano, Cícero aprisiona a saudade. E cultiva o sonho de ir. Ir embora com a mãe. Ir embora encontrar a mãe. É só ao lado de Luzimar, vizinho e amigo, que a dor aquieta. Dois pares de pernas que correm Carrasco de ponta a ponta e desembocam na beira daquele rio que tudo leva, menos a saudade. Essa fica represada, à espera do próximo ano-novo. Até que Aneci deixa de voltar. Enquanto a espera se prolonga após dezembros de ausência, Cícero e Luzimar se descobrem homens ao se encontrarem um no outro. Mas ser homem nestas terras ― e nestas águas ― também significa saber escolher bem suas armas… E a correnteza desse rio ainda tem muito passado para contar.

finished reading O rio que me corta por dentro 🌕🌕🌕🌕🌑
o livro inteiro é um conjunto de metáforas poéticas cujo eixo principal é a tríade mar-rio-terra. cícero e luzimar são como o rio e o mar, mas a terra seca que os cerca tenta impedir um de desaguar no outro. cícero é um rapaz que não sente vergonha das emoções e de ver beleza nas coisas. mas tal qual o mar, com sua aparente paz, pode também ser impulsivo e revolto. já luzimar é o rio, arrastando tudo pelo caminho, mas cuja constância da sua correnteza traz um alento e uma calmaria à vida de cícero.

é interessante demais — e o livro nos convida a isso — se perder nessas metáforas. vez ou outra achei poético ou experimental demais com a estrutura, mas no geral isso não me impediu de ficar completamente envolvida pela narrativa e de me comover com a história.

foi bem legal ir reconhecendo certos falares e referências culturais que fazem parte da minha bagagem de coisas vividas como pessoa do nordeste, principalmente uma de família vinda do interior. essas coisas que, apesar de familiares a partir vida real, não tenho hábito de ver assim impressas em papel. ou ao menos não com tanta aparência de genuinidade.

(só não entendi bem pq ((a editora ou o autor ou sei lá quem)) colocou os termos mais particulares do linguajar nordestino/cearense/popular em itálico, mas não deixa de ser algo comum de se ver por aí. não faz sentido pensar que a ausência do itálico prejudicaria o entendimento do texto. me parece mais quase um pedido de desculpas por infringir a prestigiada norma culta portuguesa. sei lá, é só um detalhe, mas um q achei mt destoante do conteúdo do livro)

li para o clube de leitura #acrônica aqui do fediverso

nimu
@plushiedata@eggplant.place
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quaisquer pronomes / any pronouns

i usually post in portuguese mas às vezes posto em inglês tb

"the idea of innocence faces two ways. by refusing to enter a conspiracy, one remains innocent of that conspiracy. but to remain innocent may also be to remain ignorant. the issue is not between innocence and knowledge (or between the natural and the cultural) but between a total approach to art which attempts to relate it to every aspect of experience and the esoteric approach of a few specialized experts who are the clerks of the nostalgia of a ruling class in decline. [...] the real question is: to whom does the meaning of the art of the past properly belong? to those who can apply it to their own lives, or to a cultural hierarchy of relic specialists?"
(john berger)



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