replying to Diego

"Ninguém podia negar o enorme bem que a Igreja moderna fazia ao mundo perturbado de hoje, e mesmo assim a Igreja tinha uma história maculada e violenta. Sua cruzada brutal para 'reeducar' os adeptos de religiões pagãs e adoradoras de deidades femininas durou três séculos, empregando métodos ao mesmo tempo inventivos e hediondos.

A Inquisição caólica publicou o livro que se pode considerar o mais sangrento da história da humanidade. O *Malleus Maleficarum* - ou o *Martelo das Feiticeiras* - doutrinava o mundo contra os 'perigos das mulheres de pensamento liberal' e instruía o clero sobre a forma de localizar, torturar e destruir essas mulheres. As pessoas consideradas 'bruxas' pela Igreja incluíam todas as professoras, sacerdotisas, ciganas, místicas, amantes da natureza, coletoras de ervas e qualquer mulher 'que fosse suspeita de sintonizar-se com o mundo natural'. As parteiras também eram perseguidas e mortas por sua prática herética do uso do conhecimento médico para evitar as dores do parto - um sofrimento, segundo a Igreja, que era a punição justa por Eva ter dividido o Fruto da Árvore do Conhecimento, gerando assim a ideia do Pecado Original. Durante 300 anos de caça às bruxas, a Igreja queimou na fogueira a quantidade impressionante de *cinco milhões de mulheres*.

A propaganda e o massacre haviam funcionado.

O mundo de hoje é a prova viva disso.

As mulheres, antes veneradas como parte essencial da iluminação espiritual, foram banidas dos templos do mundo. Não há rabinos ortodoxos, padres católicos, nem clérigos islâmicos do sexo feminino". (p. 120-121).

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Quando estava lendo RIBEIRO, Sidarta. O oráculo da noite, p. 183 também esbarrei nesse "Martelo das Feiticeiras": eggplant.place/@diegopds@eggpl

E como não poderia deixar de ser, também me fez lembrar desta música do Maryrdöd: martyrdoedsl.bandcamp.com/trac


O Código da Vinci. Edição Especial Ilustrada Page 120