nunca pensei que uma #caminhada no parque pudesse ser tão estressante!
domingão, fui ao parque todo animado pensando que hoje eu conseguiria dar a volta por fora inclusive contornando a praça Arautos da Paz, vizinha do parque. a animação não durou muito.
eu sabia que aos domingos parte da autopista que contorna o parque no sentido horário fica fechada para carros e liberada para pedestres, mas hoje fecharam a volta toda, bloqueando acesso a praticamente todos os estacionamentos do parque. ali eu já me perdi. tenho estado bastante suscetível a crises autistas por necessidade de mudança de planos, e pegou forte.
contornei todo o parque, inclusive a praça, só que de carro, procurando onde estacionar. já na segunda volta, vi vagas mas o carro que vinha atrás não me dava espaço para parar e fazer a manobra. dei volta na quadra e cheguei a tempo de ver as vagas já sendo ocupadas. felizmente logo depois encontrei onde parar, mas estava já super estressado e fora de prumo.
Comecei a volta com a musculatura toda tensa, as pernas resistindo a cada passo. Ainda fiz a besteira de escolher o sentido antihorário, sendo que a maioria da multidão que tomava a pista de caminhada e a autopista vinha no sentido horário. Tive flashbacks de idas a shopping centers lotados, em que a sobrecarga sensorial se compõe com a necessidade constante de atenção para navegar entre a multidão. Puxa, não podiam ter sido boas lembranças de eventos de software livre movimentadíssimos, tinha que ser de shopping center, um ambiente que odeio por tantas razões? 😞
Várias vezes fui tentado a abandonar a volta e cortar caminho por dentro do parque, mas fui na força da superação, tão concentrado em contar os metros até o fim da volta que não lembrei nem de beber água. A ocasional música alta não ajudou a aliviar a sobrecarga sensorial, mas a conversa tranquila de uma família que caminhou perto de mim por um trecho longo ajudou. No fim da volta, o alívio de ver meu carro estacionado, me oferecendo um escape daquela situação de estresse, foi indescritível.
Ainda bem que minhas primeiras semanas de caminhada não tiveram nada disso. Agora sei que essa situação é excepcional, e provavelmente vou planejar evitá-la, porque foi bem traumática. Mas sobrevivi, consegui completar a volta e não vou desenvolver aversão às caminhadas por causa disso, porque já sei que há alternativas. Mas vai ficar difícil bem encontrar animação pra levar a família pra passear lá.
#VidaDeAutista
domingão, fui ao parque todo animado pensando que hoje eu conseguiria dar a volta por fora inclusive contornando a praça Arautos da Paz, vizinha do parque. a animação não durou muito.
eu sabia que aos domingos parte da autopista que contorna o parque no sentido horário fica fechada para carros e liberada para pedestres, mas hoje fecharam a volta toda, bloqueando acesso a praticamente todos os estacionamentos do parque. ali eu já me perdi. tenho estado bastante suscetível a crises autistas por necessidade de mudança de planos, e pegou forte.
contornei todo o parque, inclusive a praça, só que de carro, procurando onde estacionar. já na segunda volta, vi vagas mas o carro que vinha atrás não me dava espaço para parar e fazer a manobra. dei volta na quadra e cheguei a tempo de ver as vagas já sendo ocupadas. felizmente logo depois encontrei onde parar, mas estava já super estressado e fora de prumo.
Comecei a volta com a musculatura toda tensa, as pernas resistindo a cada passo. Ainda fiz a besteira de escolher o sentido antihorário, sendo que a maioria da multidão que tomava a pista de caminhada e a autopista vinha no sentido horário. Tive flashbacks de idas a shopping centers lotados, em que a sobrecarga sensorial se compõe com a necessidade constante de atenção para navegar entre a multidão. Puxa, não podiam ter sido boas lembranças de eventos de software livre movimentadíssimos, tinha que ser de shopping center, um ambiente que odeio por tantas razões? 😞
Várias vezes fui tentado a abandonar a volta e cortar caminho por dentro do parque, mas fui na força da superação, tão concentrado em contar os metros até o fim da volta que não lembrei nem de beber água. A ocasional música alta não ajudou a aliviar a sobrecarga sensorial, mas a conversa tranquila de uma família que caminhou perto de mim por um trecho longo ajudou. No fim da volta, o alívio de ver meu carro estacionado, me oferecendo um escape daquela situação de estresse, foi indescritível.
Ainda bem que minhas primeiras semanas de caminhada não tiveram nada disso. Agora sei que essa situação é excepcional, e provavelmente vou planejar evitá-la, porque foi bem traumática. Mas sobrevivi, consegui completar a volta e não vou desenvolver aversão às caminhadas por causa disso, porque já sei que há alternativas. Mas vai ficar difícil bem encontrar animação pra levar a família pra passear lá.
#VidaDeAutista