Retrato de uma faceta de uma luta
Assisti ao filme sem saber do que se tratava. Fui vê-lo por conta dos elogios à atuação da Fernanda Torres.
O filme mostra o retrato de uma intimidade de uma famÃlia que teve sua vida interrompida pela ditadura. Ele dá importância a momento simples e, prosaicos, mas que embalado pela trilha sonora e o estilo idealizado da época ganha ares poéticos.
As atuações são intensas, especialmente porque a tônica que tentam ressaltar da época é que não se pode falar nada. Muita coisa não é dita e as personagens precisam elaborar isso num silêncio repressivo. O filme deixa reflexões e isso é uma das coisas que, pessoalmente, eu acho mais relevante para considerar bom.
As maiores crÃticas que escutei foi sobre retratar uma famÃlia rica, e é evidente que é uma famÃlia bastante abastada e certamente há famÃlias pobres que sofreram muito mais nas mãos da ditadura, mas isso não diminui o valor da história contada; que o filme apenas tangencia a luta de Eunice pelos direitos dos povos indÃgenas, o que é verdade, só que não era essa a história que estava sendo contada e não dá para contar tudo; que o filme valida apenas um tipo de resistência à ditadura - a resistência pacÃfica - e que a vitória de conseguir um papel nem vitória é, porém é um filme baseado em fatos reais e a história foi assim e isso não deslegitimiza outros tipos de resistência. Todas essas crÃticas me parecem mais sobre o que as pessoas queriam que o filme fosse, mas que não é.
Vale muito a pena ser assistido e pensado.