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O Aleph [Book] Open Library Goodreads
El Aleph
author: Jorge Luis Borges Companhia das Letras 2008 - 4
Em sua maioria, "as peças deste livro correspondem ao gênero fantástico", esclarece o autor no epílogo da obra. Nelas, ele exerce seu modo característico de manipular a "realidade": as coisas da vida real deslizam para contextos incomuns e ganham significados extraordinários, ao mesmo tempo em que fenômenos bizarros se introduzem em cenários prosaicos. Os motivos borgeanos recorrentes do tempo, do infinito, da imortalidade e da perplexidade metafísica jamais se perdem na pura abstração; ao contrário, ganham carnadura concreta nas tramas, nas imagens, na sintaxe, que também são capazes de resgatar uma profunda sondagem do processo histórico argentino. O livro se abre com "O imortal", onde temos a típica descoberta de um manuscrito que relatará as agruras da imortalidade. E se fecha com "O aleph", para o qual Borges deu a seguinte "explicação" em 1970: "O que a eternidade é para o tempo, o aleph é para o espaço". Como o narrador e o leitor vão descobrir, descrever essa idéia em termos convencionais é uma tarefa desafiadoramente impossível.
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Uma coleção de contos de realismo fantástico, muitas (mas muitas mesmo) referências eruditas, em uma escrita concisa e tecnicamente impecável. Surpreendentemente, o que à primeira vista parece uma "obra difícil" é bem tranquila. Quanto mais referências o leitor conhecer, masi tranquila (e mais divertida) é a leitura, mas esse não é um requisito obrigatório. Há trechos em que o eu-lírico, que também é Borges, dá uma parada pra tentar se localizar nas referências de história, mitologia e no trabalho com a língua. No conto que nomeia e encerra o livro, o leitor descobre com é que Borges sabe tanto sobre tanta coisa.

Com um Aleph debaixo da escada até eu, até você. O Carlos Argentino não, coitado, mas a gente tiraria de letra.

Leitura de Fevereiro do Clube de Leitura #acronica