finished reading Morangos Mofados 🌕🌕🌕🌕🌕
Aproveitar o tema da #QuataCapa e registrar aqui na Berinjela o Morangos Mofados, que já tinha recomendado antes.
Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu é a obra deslocada&desbocada que parece ser só mais uma dessas coletâneas de contos sobre a vida de uma classe média contracultural em seus pequenos dramas urbanos. É isso que as resenhas me prometeram. Mas o livro afunda no desespero da condição humana de uma forma tão absurda, que mesmo quando o mofo acaba e você começa a ver os morangos, esses ainda parecem estragados. É só ao final, que a angústia e o trauma da catarse se libertam em uns poucos parágrafos de uma esperança tão minúscula, mas tão importante, diante da universalidade do mofo.
Book
Morangos mofados
Goodreads
Caio Fernando Abreu
publishing house:
Agir
2005
- 4
Os anseios dos anos 1970 e a falta de perspectiva de concretizá-los são uma realidade que se mostra atual. O sonho pode ter acabado, mas não morreu. E Caio Fernando Abreu mostra isso com perícia, desvendando o ser humano nos seus momentos mais íntimos, buscando a verdade e o conhecimento de si mesmo e do outro ora como poesia, ora com crueza, mas sempre com a sutileza e a ironia de um mestre.
O medo e a insegurança dominam os nove contos que compõem a primeira parte do livro, "O mofo", na qual está representada a vida sob a ditadura militar e a restrição de liberdade. A dor permeia toda essa parte, perpassando os oito contos da seguinte, "Os morangos". Na última, composta de um único conto, que dá nome ao livro, Caio sinaliza uma esperança: os morangos estão mofados, mas ainda assim guardam o frescor em sua essência.
Numa carta a um amigo, que poderá ser lida no final deste volume, Caio conta o processo de criação de "Morangos mofados", a analogia com a música "Strawberry Fields Forever", o mergulho sofrido e necessário no mundo interior para dele extrair a literatura, além de sua admiração por Clarice Lispector e Dalton Trevisan. Então, esclarece por que o último conto tem um cunho positivo: o personagem se rebelou, libertando-se do autor e decidindo o final à revelia dele.